Euro 7: o que pode mudar na indústria automóvel

A Euro 7 é uma nova proposta da Comissão Europeia, divulgada a 10 de novembro, que traz grandes desafios à indústria automóvel exigindo, por um lado, a aceleração do desenvolvimento tecnológico com vista ao cumprimento das metas ambientais e, por outro, preços acessíveis para que a indústria se mantenha competitiva.

Quais são os objetivos da Euro 7?

Até 2035, todos os automóveis novos vendidos na União Europeia não deverão emitir gases CO2.

Este é o ponto de partida da nova proposta da Comissão Europeia, que pretende ser um meio para reduzir a poluição automóvel, especialmente nos grandes centros urbanos.

É expectável, assim, que os novos automóveis vendidos a partir de 2035 não sejam emissores de gases poluentes, e contribuam para a preservação da saúde da população e do meio ambiente.

Falamos de um aspeto importante para a melhoria geral da qualidade do ar e das águas, conforme uma proposta anterior da Comissão, divulgada a 26 de outubro de 2022.

Mas a Euro 7 vai mais além e propõe também que os novos automóveis se mantenham sustentáveis por maiores períodos, e que as emissões de partículas provenientes dos pneus e travões também sejam reguladas.

A Comissão Europeia adiantou que a poluição do ar é responsável por mais de 300.000 mortes prematuras em estados-membros da UE, todos os anos, e que as novas regras vão ajudar a combater este problema.

Quais são os principais requisitos da Euro 7?

Esta proposta substitui a Euro 6 e simplifica os objetivos em termos de emissões de CO2, já que todos os veículos, sem exceção, devem respeitar os mesmos limites. Isto significa que os automóveis, carrinhas, camiões e autocarros – independentemente do tipo de combustão ou de energia que usam – terão de obedecer aos mesmos requisitos. São eles:

1. Melhor controlo das emissões de gases poluentes através de testes mais rigorosos

A nova norma propõe testes de homologação mais rigorosos, que tenham em atenção um conjunto maior de condições às quais os veículos estão sujeitos em condições reais de utilização. A ideia é que estes testes passem a ser feitos sob temperaturas mais rigorosas (45°C em vez de 35ºC), e que cubram trajetos de curta distância (já que o aquecimento é a fase mais poluente de qualquer motor e, em trajetos de curta distância, um veículo normalmente não atinge a sua temperatura ideal de funcionamento).

2. Limites para emissões de gases poluentes mais restritos

É proposto ainda um limite único de 60 mg/km de NOx (óxido de azoto) para todos os tipos de automóveis. Com a Euro 6, os veículos a gasolina já obedeciam a este limite, mas os veículos a diesel podiam emitir 80 mg/km. A nova proposta prevê, assim, uma redução de 25% para os motores a gasóleo.

Os furgões e camiões também terão de cumprir os mesmos limites de emissões.

3. Limites às emissões de partículas provenientes dos pneus e dos travões

Esta norma vai mais além e, pela primeira vez, é proposto o estabelecimento de um limite à emissão de partículas provenientes dos pneus e dos travões.

Os travões, que transformam a energia cinética em calor através da fricção, causam desgaste no material do qual são feitas as pastilhas de travão e este, por sua vez, é transformado num pó muito fino, responsável por várias doenças pulmonares graves.

Já os pneus, com o desgaste habitual da sua utilização, libertam microplásticos na estrada que, por ação do vento e da chuva, podem acabar nos cursos de água e no mar.

Com a Euro 7, todos os automóveis terão de obedecer a um limite de emissão destas partículas, incluindo os carros elétricos.

Ler mais: “Carros elétricos: tudo sobre este segmento automóvel”

4. Garantia de que os novos carros respeitam os limites por um maior período

Os novos veículos a homologar têm de cumprir os limites de emissões durante, pelo menos, 10 anos ou até atingirem os 200.000 quilómetros. Falamos do dobro do tempo previsto anteriormente com a Euro 6.

5. Aumentar a confiança dos consumidores nos veículos eletrificados

Aumentar o tempo de vida útil das baterias é importante não só para diminuir a mineração de matérias-primas necessárias à sua construção, mas também para aumentar a confiança dos consumidores nos carros elétricos.

Ao fim de cinco anos ou 100.000 quilómetros, por exemplo, uma bateria terá de manter, no mínimo, 80% da sua capacidade inicial. Isto fará com que mais consumidores queiram apostar em veículos eletrificados.

Ler mais: “Como preservar as baterias de carros elétricos?”

6. Explorar todas as potencialidades do digital

A Euro 7 propõe ainda que se faça um melhor uso da tecnologia, incorporando sensores no interior das viaturas que possam controlar os seus níveis de emissões. Desta forma, as autoridades podem mais facilmente controlar se os novos veículos cumprem ou não os critérios impostos.

Quando é que entra em vigor?

A Euro 7 é apenas uma proposta da Comissão Europeia e, como tal, terá ainda de ser submetida e aprovada pelo Parlamento e Conselho Europeu.

Apesar de ainda poder vir a sofrer alterações, o objetivo é que esta norma entre em vigor em 2024.

Os (grandes e complexos) desafios da Euro 7

Para além de ser uma verdadeira corrida contra o tempo, os principais críticos desta proposta referem que as medidas da Euro 7 irão levar a um aumento do preço final e venda, tornando os veículos elétricos soluções pouco atrativas para a carteira de grande parte dos consumidores.

A ACEA (Associação de Fabricantes Automóveis Europeus) vai mais longe e afirma que as datas de implementação da Euro 7 são irrealistas, devido ao número elevado de modelos automóvel que têm de ser desenvolvidos, testados e certificados. Uma operação que, de acordo com a associação, arrisca-se a ser “bastante complexa e custosa”.

Em resposta, a Comissão Europeia estima que, em 2035, a Euro 7 tenha contribuído para uma redução de:

  • 35% de NOx (óxido de azoto) em veículos ligeiros e de 56% em veículos pesados;
  • 13% de partículas emitidas pelo sistema de escape em veículos ligeiros, e 39% em veículos pesados;
  • 27% de partículas emitidas pelos travões em veículos ligeiros e pesados.